Anos Incríveis: A História da NASL – Pt. 3

DEMOROU, MAS CHEGOU!!! Finalmente no site o Terceiro e último episódio da série que conta a história da NASL – a NORTH AMERICAN SOCCER LEAGUE.

Recapitulando aqui os dois primeiros textos que estão aqui no nosso blog:

  • No episódio UM desta série contamos com detalhes o surgimento da Liga, seus primeiros anos e a luta para se estabelecer, ganhar respeito e reconhecimento.
  • No episódio DOIS falamos sobre o auge da liga, com destaque para a passagem de Pelé pelo Cosmos e quando o mundo pela primeira vez viu uma verdadeira LIGA DAS ESTRELAS.

E agora, no terceiro e último falaremos sobre como a empolgação com Pelé e a busca incessante por grandes estrelas para manter a liga atraente como nos anos de ouro não compensou a falta de um trabalho de base para a sustentação e crescimento do Soccer no país, fazendo com que a Liga chegasse a uma crise tão profunda que a fizesse fechar as portas.

Pelé se despediu no fim de 1977 dos gramados, mas além de permanecer como o “Embaixador” do NY Cosmos, deixou um legado muito importante para a Liga.

A passagem do Rei pelos Estados Unidos não só impulsionou tanto os resultados do Cosmos e da Liga dentro e fora de campo como fez com que os donos dos outros times concluíssem que seria necessário ter em suas equipes uma ou mais estrelas para que os resultados financeiros e esportivos viessem automaticamente.

O crescimento da NASL e o sucesso com o público americano, principalmente mulheres e os mais jovens, também fez com que os organizadores da liga se sentissem mais à vontade para deixá-la cada vez mais com a identidade de um esporte americano.

Prova disso é que ainda na temporada de 1977 o NY Cosmos já contava com as Cosmos Girls – ou melhor dizendo – as Cheerleaders do Cosmos em seus jogos, assim como os mascotes – tão tradicionais nos outros esportes – que mesmo com fantasias de qualidade no mínimo duvidosa, faziam sua festa na tentativa de animar as torcidas.

A temporada de 1978 traz muitas novidades, como a chegada de seis novos times:

  • O Colorado Caribous com seu espetacular uniforme.
  • O Detroit Express
  • O Houston Hurricane
  • O Menphis Rogues
  • O New England Tea Man – sim o time do homem do chá
  • E o Philadelphia Fury.

Além disso quatro franquias mudaram de cidade:

  • Connecticut Bicentennials tornou-se o Oakland Stompers
  • O Las Vegas Quicksilver – que mesmo fazendo jogos festivos envolvendo uma atriz pornô para promover a equipe, foi um fracasso e se tornou o San Diego Sockers
  • O St Louis Stars se tornou o California Surf
  • E o Team Hawaii, SIM TIVEMOS UM TIME NAS ILHAS DO HAWAI, também foi um fracasso. A franquia se mudou para Tulsa, tornando-se o Tulsa Roughnecks.

O crescimento não foi apenas no número de equipes, mas também nos números de grandes estrelas, na tentativa de manter a liga atraente depois da saída de Pelé

Os destaques do futebol inglês se mantinham como os favoritos; e nesta temporada George Graham – escocês, ídolo do Arsenal – foi contratado pelo California Surf e o Detroit Express surpreendeu a todos ao contratar Trevor Francis do Nottingham Forest.

Além dos nomes da terra da Rainha, os destaques nas contratações foram o meia o iugoslavo Vladislav Bogicevic que foi para o Cosmos e o brasileiro Mirandinha que chegou para ser companheiro de Rodney Marsh no Tampa Bay Rowdies.

Outra mudança na competição foi a divisão das equipes, que agora, graças a inspiração vinda da NFL, as conferências passariam a se chamar AMERICAN e NATIONAL.

Dos 24 times da primeira fase 16 seguiriam para as oitavas de final – oito de cada conferência – e o regulamento previa confronto entre eles dentro da conferência até que os campeões de casa uma delas se enfrentassem no Super Bowl – que seria disputado no Giants Stadium no final de agosto.

Os destaques da primeira fase foram o Detroit Express de Trevor Francis e o NY Cosmos, que perdeu Pelé, mas manteve Carlos Alberto, Beckenbauer e principalmente Giorgio Chinaglia – que se com Pelé no elenco conseguia dividir as atenções com o Rei, agora era praticamente o dono do time.

Nas quartas de final a maioria dos favoritos confirmaram sua superioridade, com exceção do estreante New England Tea Man, que mesmo sendo o segundo melhor time da conferência Americana foi eliminado pelo irregular Fort Lauderdale Strikers de George Best.

Nas semifinais as partidas foram bem mais equilibradas.

  • Pela conferência americana o Fort Lauderdale mais uma vez surpreendeu ao eliminar o Detroit, melhor time da primeira fase
  • E na outra semifinal um jogaço entre o San Diego Sockers e o Tampa Bay Rowdies de Marsh e Mirandinha prevaleceu a força do já tradicional time do estado da Flórida.

Já pela conferência Nacional tivemos o Timbers surpreendendo o Vancouver Whitecaps do Rookie of the Year Bob Lenarduzzi – que jogou a Copa de 1986 pela seleção canadense e na outra semifinal,

Bem… para a outra semifinal, a semifinal que envolveu o que a revista especializada KICK considerava ser os times mais populares dos Estados Unidos – o Minessota Kicks e o NY Cosmos, teremos que contar com um pouco mais de detalhes o que aconteceu.

O Minessota Kicks foi vice-campeão na sua temporada de estreia em 1976 e assim que a franquia surgiu ela se tornou uma atração na cidade, sempre tendo uma média de público entre 25 e trinta mil espectadores durante as temporadas.

Mais do que o jogo, o Tailgate – ou melhor dizendo – o pré-jogo em volta do estádio era uma atração especial, pois ao contrário dos tradicionais churrascos com grupos de homens entre 30 e 40 anos bebendo cerveja e fazendo churrasco como nos jogos do Vikings – time da NFL na Cidade – o que se via em volta do Metropolitan Stadium era um amontoado de jovens bebendo, usando drogas e ouvindo música como se estivessem num palco secundário do Woodstock.

Já o time contava com ótimos nomes, como Charlie George – autor do gol que deu o título da FA Cup para o Arsenal em 1971 – o sul-africano Ace Ntsoelengoe e o artilheiro inglês Allan Willey que até o confronto já havia feito 18 gols na temporada.

O time de NY, ao contrário do que foi visto na temporada anterior, era muito mais regular, com Chinaglia e Bogivevic mantendo um nível altíssimo durante toda a temporada e os geniais Carlos Alberto e Beckenbauer, mesmo claudicantes, tirando seus coelhos das cartolas quando necessário.

O primeiro jogo da semifinal foi em Minessota e pode ser considerado tranquilamente o jogo mais surreal da história da Liga.

Mal a partida começa e o Minessota já está vencendo por dois a zero e para complicar ainda mais a vida do time de NY o time perdeu seu goleiro titular em um choque com Allan Willey no primeiro gol.

Ainda no primeiro tempo o Kicks faz mais um e a partida vira 3 x 0 para o Minessota.

O Cosmos até reage com um gol de Chinaglia, mas Willey em uma noite inspirada faz quatro gols em menos de quinze minutos para deixar o placar em 7 x 1.

Chinaglia, que parecia ser o único a tentar alguma coisa pelo time de NY fez mais um, mas logo depois foi obrigado a assistir o time da casa fazer mais dois gols e fechar o placar num surpreendente 9 x 2.

Sim… MINESSOTA KICKS 9 X NY COSMOS 2.

Provavelmente um dos principais jogos da história da NASL e do Futebol nos Estados Unidos.

Quatro dias depois os times se enfrentariam no Giants Stadium.

Como citei no episódio anterior e é importante recordar – o regulamento não considerava o saldo de gols para definir a classificação, portanto Cosmos precisaria apenas de uma vitória simples para levar o jogo ao tempo extra.

Bogivecic e Chinaglia deram um show nos noventa minutos marcando dois gols cada e a vitória por 4 x 0 no tempo normal levou a partida para o tempo extra.

Por muito pouco Allan Willey, herói da goleada do primeiro jogo, não classificou o time de Minesota com uma cabeçada que o goleiro Jack Brand salvou de forma espetacular e com isso a vaga para final da Conferência foi para os Shoot-outs.

Os goleiros Jack Brand e Tino Lettieri brilharam na disputa, defendendo cobranças de grandes nomes como Begocevic, Allan Willey e Steve Hunt e forçando as cobranças alternadas.

Carlos Alberto Torres, o Capita, seria o responsável pela primeira cobrança alternada do time de NY e aquela seria a sua primeira vez em um Shoot-out.

O Capita ao invés de carregar a bola, a levanta como se estivesse jogando Futebol de Praia em Copacabana e no quique da bola dá um toque genial, com a uma classe que chega a ser difícil de descrever por áudio, encobre Tino Lettieri, colocando o Cosmos em vantagem e deixado a responsabilidade para o Capitão do Minessota – Alan Merrick – que sem nem três por cento da classe de Carlos Alberto, perde a chance e com isso o time de NY conquista a vaga para a final da Conferencia onde encararia o Portland Timbers.

Capita e o Shoot-Out mais lindo da história da NASL

Nas finais da Conferência Nacional o Cosmos superou o Portland vencendo os dois jogos com facilidade

Porém do outro lado o Fort Lauderdale de Gordon Banks e George Best encarou o Tampa Bay Rowdies de Rodney Marsh e Mirandinha fizeram dois jogaços.

  • No primeiro um emocionante 3 x 2 para o Fort Lauderdale.
  • Na volta, debaixo de uma tempestade, o Tampa Bay venceu por 3 x 1 no tempo normal e foi melhor nos Shoot-Outs, conquistando a vaga para o Soccer Bowl contra o seu maior rival.

Como citamos agora pouco, o Soccer Bowl 78’ seria disputado no Giants Stadium, ou seja, o time de NY jogaria praticamente em casa.

Para dificultar ainda mais a situação dos Rowdies, Rodney Marsh – craque do time e principal responsável em criar a rivalidade entre as duas equipes – sofreu uma contusão no tornozelo e ficaria fora da final.

Se de um lado o principal jogador estaria de fora, do outro o principal jogador vivia o seu auge.

Chinaglia chegou na final com 33 gols e 11 assistências na temporada e com a saída de Pelé assumiu o papel de liderança do elenco.

A sua amizade com Steve Ross, dono do time, dava a ele um poder que ultrapassava as quatro linhas, mas o atacante italiano justificava todas as suas regalias se dedicando muito em campo e isso acabava cativando a todos, até os mais experientes como Carlos Alberto e Franz Beckenbauer.

A prova de sua dedicação foi vista logo no começo do Soccer Bowl, quando mais de 74 mil pessoas – recorde até hoje em todas as competições do Soccer – viram uma atuação de gala do ataque liderado por ele em um primeiro tempo que terminou 2 x 0 – com um gol marcado por Chinaglia e outro por Dennis Tueart – que foi escolhido o MVP dos Playoffs.

O brasileiro Mirandinha até diminui na metade do segundo tempo, mas três minutos depois Tueart marca mais uma vez e resolve a partida, fazendo com que o Cosmos conquistasse o seu terceiro título da NASL se confirmando como a principal potência da Liga e o time a ser batido.


1979

Poucas coisas mudaram na Liga entre um ano e outro.

Nenhum time faliu, nenhuma nova franquia apareceu e apenas duas delas se mudaram:

  • O Colorado Caribous, que ficou famoso mundialmente graças ao seu maravilhoso uniforme com franjinhas dignas de festas juninas de colégio se mudou para Atlanta e fez ressurgir o Atlanta Chiefs
  • E o Oakland Stompers se tornou o Edmonton Drillers

Na temporada regular, ou para quem não acompanha os esportes americanos, as fases de grupos, poucas novidades.

O NY Cosmos que seguindo a tendência mundial do futebol da época adicionou ao elenco o holandês Johan Neeskens foi o melhor time.

Abaixo do Cosmos, outros times que já vinham de boas temporadas na Liga investiram pesado e conquistaram a vaga para os Playoffs…

  • Como o LA Aztecs que contratou o genial Johan Cruyff – que decidiu voltar a jogar depois de cometer erros graves em investimentos duvidosos e quase quebrar financeiramente
  • O Fort Lauderdale que já contava com Geroge Best e fechou com Gerd Muller e Teofilo Cubillas
  • E o Minessota Kicks, que assinou com o ótimo defensor sueco Bjorn Nordqvist.

Na luta pelos títulos de Conferência a boa fase da maioria dos times citados prevaleceram e apenas o Fort Lauderdale decepcionou ao ser eliminado pelo Chicago Sting do atacante alemão Karl-Heinz Granitza logo nas quartas de final.

Na Conferência Nacional, mesmo com um Johan Cruyff inspirado o LA Aztecs foi eliminado pelo Vancouver Whitecaps de Bob Lenarduzzi que na final encararia o NY Cosmos, que precisou do tempo extra contra o Tulsa Rougnecks para chegar à final.

Já na Conferência Americana o Tampa Bay Rowdies, que manteve a base vice-campeã do ano anterior superou o Philadelphia Fury – franquia administrada por Rick Wakeman, Peter Framptom e Paul Simon; grandes nomes do Rock Progressivo – na semifinal para encarar o surpreendente San Diego Sockers…

E aqui vem a mais uma Pitadinha…

O Santiago Sockers dos mexicanos Leonardo Cuellar e Hugo Sanchez.

Nas finais, confrontos gigantescos:

No primeiro jogo da Conferência Nacional o Vancouver Whitecaps venceu por 2 x 0 o NY Cosmos no Empire Stadium com dois gols de Trevor Whymark, mas o resultado nem de longe foi o principal assunto do jogo.

Após o apito final de um jogo muito disputado e cheio de provocações, entradas ríspidas e muita reclamação por parte do Cosmos – que reclamava de impedimento no segundo gol – Carlos Alberto discutiu com o bandeirinha no túnel que levava aos vestiários e foi colocado na súmula que o Capita teria cuspido no rosto do auxiliar.

Com isso, além do desfalque do defensor iraniano Adrianik Eskandarian, expulso durante o jogo, o time de NY não teria na segunda partida Carlos Alberto, que após o incidente foi expulso dos Playoffs da NASL.

Apenas três dias depois, no Giants Stadium com mais de 40 mil pessoas, o NY Cosmos começa de forma alucinante e Chinaglia, sempre ele, fez os dois gols do time da casa – que vai para o intervalo vencendo por 2 x 1, pois Trevor Whymark diminuiu para o Whitecaps.

No segundo tempo Whymark empatou o jogo e, se por um lado no mundo todo o 2 x 2 no tempo normal daria a vaga para o time canadense, por outro o regulamento da NASL não permitia empates e os times foram obrigados a ir para o tempo extra para definirem o vencedor e o Cosmos levou a melhor.

Como cada um dos times – pelo regulamento – teriam duas vitórias, seriam necessários novamente os Shoot-Outs para definiriam o futuro do NY Cosmos.

Surpreendentemente os jogadores mais jovens foram muito bem nas cobranças e quis o destino que duas grandes estrelas da Final da Copa do Mundo de 1966 falhassem em suas tentativas

  • Franz Beckenbauer pelo Cosmos
  • E Allan Ball pelo Whitecaps

Na última cobrança das cinco primeiras o time da casa poderia empatar e levar para as alternadas, porém o Português Seninho, mesmo convertendo a cobrança, demorou mais do que os cinco segundos permitidos e assim a vaga na final da liga ficou com o time canadense.

O adversário do Vancouver Whitecaps também saiu de um confronto quase idêntico.

O San Diego Sockers venceu em casa o primeiro jogo por 2 x 1 e três dias depois na partida disputada em Tampa com um público de mais de 33 mil pessoas o time da casa abriu o placar logo no início, mas tomou a virada ainda no primeiro tempo.

O atacante iugoslavo Ivan Grnja empatou o jogo e com isso a partida foi para tempo extra, onde mais uma vez Grnja marcou e deu a vitória para o time da casa e assim como a final da outra conferência a decisão vai para os Shoot-Outs e o goleiro Winston DuBose brilhou defendendo as três primeiras tentativas do San Diego e com isso o Tampa Bay mais uma vez chegaria à final da Liga Norte Americana.

A partida final entregou exatamente o que se esperava, muito equilíbrio.

  • O Whitecaps saiu na frente com o jogador mais decisivo dos Playoffs – Trevor Whymark aos 13 do primeiro tempo.
  • Dez minutos depois o holandês Jan Van der Veen empatou.

O jogo ficou muito travado até o fim do primeiro tempo e assim como no início do jogo o time canadense parte para cima e aos 15 minutos, sempre ele… TREVOR WHYMARK, depois de uma bela assistência de Allan Ball fez o segundo gol e deu o título a uma das franquias mais autênticas do Soccer – o segundo título de um canadense na North American Soccer League.

1980

O ano começa com a Liga e seus clubes dando sinais de estabilidade, pois pela primeira vez na história da competição não houve nenhuma equipe falindo e nenhuma franquia mudando de cidade.

Em paralelo a isso, assim como no início dos anos 70, uma nova onda de crescimento da prática do esporte foi vista por todo o país e isso refletiu também nos estádios, com a melhor média de público da história da NASL.

Mantendo a tendência de adicionar grandes nomes do futebol à Liga para atrair o interesse de novos espectadores, mais uma vez as franquias se mexeram e investiram pesado para deixarem a competição ainda mais estrelada:

  • Da Holanda vieram Wim Jensen para o Washington Diplomats, Rudi Krol para o Vancouver Whitecaps e Rob Resenbrink para o Portland Timbers.
  • Os paraguaios Roberto Cabañas e Julio Cesar Romero – ou como o torcedor do Fluminense prefere, Romerito – foram contratados pelo NY Cosmos, assim como o zagueiro brasileiro Oscar, que por problemas contratuais ficou apenas por três jogos.

Se por um lado grandes nomes vieram abrilhantar a Liga, duas lendas da competição penduraram a chuteira:

  • O “Maverick” Rodney Marsh, maior jogador da história do Tampa Bay Rowdies
  • E o zagueiro iugoslavo Werner Roth – sinônimo de liderança do NY Cosmos e capitão da conquista de 1978.

Com a bola rolando os destaques da temporada regular foram:

  • O Galático NY Cosmos de Carlos Alberto, Neeskens, Romerito e claro o dono do time Giorgio Chinaglia e o surpreendente Seattle Sounders na Conferência Nacional
  • E na Conferência Americana o Chicago Sting liderado por Karl Heinz Granitzka e o tradicionalíssimo Tampa Bay Rowdies do argentino Oscar Fabianni e do holandês Perry Van der Beck

Nos Playoffs apenas o Chicago decepcionou logo de início, sendo eliminado pelo San Diego da dupla mexicana Leandro Cuellar e Hugo Sanchez.

Já os outros avançaram para as semifinais das conferências.

Para contar as histórias das semifinais e finais das conferências desta vez começaremos pela Conferência Nacional,

  • Onde o Los Angeles Aztecs treinado por ninguém mais ninguém menos do que Rinus Michels superou o Seattle Sounders nos Shoot-Outs para conquistar a vaga e encarar o NY Cosmos…
  • Que depois de vencer o primeiro jogo foram atropelados pelo Dallas Tornado de Mike Stankovic e Wolfgang Raush nos 90 minutos na partida volta no Texas Stadium, mas surpreendentemente fez 3 x 0 no Tempo Extra com uma atuação de gala de Giorgio Chinaglia e Johan Neeskeens para ficar com a vaga.

Na final, a expectativa era de confrontos mais equilibrados.

Porém com o ataque do time de Nova York muito inspirado, nem o “Soccer Total” de Rinus Michels foi o suficiente e o principal time da Liga passou com facilidade vencendo os dois jogos e conquistando a vaga no Soccer Bowl que seria disputado no RFK Stadium em Washington.

Na outra Conferência, a Americana, o Fort Lauderdale de Teofillo Cubillas, Greg Villa e Marinho Chagas – sim o lateral e zagueiro que também jogou no Cosmos – superou o Edmonton Drillers de Henk Tem Cate – que conhecemos em tempos mais recentes como assistente de Frank Rijkaard no Barcelona – e com isso chegou a final.

Na outra partida o San Diego Sockers, goleou por 6 x 3 o Tampa Bay Rowdies no jogo de ida, mas perdeu por 6 x 0 nos 90 minutos na partida de volta disputada no Tampa Stadium com uma atuação de gala do meio campista canadense Wes McLeod.

No tempo extra, empate em 1 x 1 e com isso a partida foi para os Shoot-Outs, onde o goleiro do San Deigo, o alemão Volkmar Gross, brilhou e levou o time para a final.

San Diego e Fort Lauderdale fizeram dois jogaços na final da Conferência.

No primeiro jogo, disputado em San Diego uma partida extremamente equilibrada que seguia para o empate, mas que Teófilo Cubillas decidiu mostrar um pouco da sua arte e ao receber uma bola na ponta esquerda e ao ficar frente a frente com o goleiro e finalizou com muita classe para o Fort Lauderdale vencer fora de casa.

Na partida de volta em Fort Lauderdale, o time da casa liderado por Gerd Muller e Teófilo Cubillas até saiu na frente, mas o que viu depois durante os 90 minutos foi um show do visitante San Diego Sockers, principalmente de Hugo Sanchez, que fez três gols na vitória por 4 x 2 no tempo normal.

Porém no tempo extra, ficou claro que o gás do time tinha acabado e com muita tranquilidade o Fort Lauderdale Strikers fez 3 x 0 em trinta minutos levando o público de pouco mais de 18 mil pessoas no Lockhart Stadium a loucura, pois o time da Flórida estava na final para encarar o badalado time do NY Cosmos.

E no dia 21 de setembro, uma semana depois das finais de conferência os times se encontraram no RFK Stadium em Washington.

O primeiro tempo é um jogo muito travado e sem emoção, com o time da Flórida se preocupando apenas em se defender e o time de Nova Iorque sofrendo para achar espaços e criar chances.

A prova de que o jogo estava muito travado é esta Pitadinha que vem diretamente do Show do Intervalo do Canal de TV ABC, que reuniu na sua cabine ninguém mais ninguém menos do que o Rei Pelé – que comentava alguns jogos pela emissora – e Silvester Stallone – ator que vivia o auge com os filmes do lutador Rocky e que semanas antes da final estava com Pelé em Budapeste gravando cenas do clássico filme ESCAPE TO VICTORY, ou como conhecemos aqui, FUGA PARA A VITÓRIA.

Portanto, antes de seguirmos para o segundo tempo, temos que fazer uma pausa e ouvir, mesmo que em inglês, este momento inusitado.

O encontro entre Pelé e Stallone contando suas aventuras nas gravações de Fuga para a Vitória.

O Garanhão Italiano e o Rei do Futebol no SHOW DO INTERVALO da ABC

O segundo tempo inicia e logo aos dois minutos Romerito abre o placar para o NY Cosmos ao aproveitar um rebote de uma cobrança de falta de Chinaglia.

Com a vantagem no Placar o jogo fica mais aberto, Romerito e Beckenbauer começam a ter mais espaços para criar chances para Cabanãs e Chinaglia – e exatamente desta maneira, com os dois carregando a bola desde o campo de defesa que o Cosmos fez mais dois gols…

E os dois marcados pelo maior jogador da história do NY Cosmos – o atacante italiano Giorgio Chinaglia.

O Maior jogador da NASL brilhando em mais um SoccerBowl. Chinaglia jogou demais nos “gramados” norte-americanos

1981

Depois do gol vídeo dos gols da final, seguimos para a temporada 1981…

E aqui a realidade começa a bater na porta dos organizadores da Liga e dos donos das equipes.

Um dos sinais é a debandada da maioria das principais estrelas europeias – casos de Franz Beckenbauer, Gerd Muller, Alan Ball, Wim Jensen e Rudi Krol.

Além disso, depois de dois anos sem nenhuma equipe fechar as portas – Rochester Lancers, Houston Hurricane e Washington Diplomats – abandonaram a liga e quatro franquias mudaram de cidade – algo que, como citei algumas vezes durante a série, é comum nos esportes americanos, mas que acontecia num volume altíssimo na North American Soccer League.

A temporada regular não tem muita novidade.

As franquias mais tradicionais – Cosmos, Chicago, Vancouver e San Diego foram os destaques.

E apenas Vancouver não provou sua superioridade nas oitavas ao ser eliminado pelo Tampa Bay.

Nos playoffs das quartas – disputadas em melhor de três jogos – dois confrontos merecem destaque:

  • O clássico entre Cosmos e Tampa Bay aconteceu novamente e para o time de Nova York passar foram necessários três confrontos, sendo que dois deles foram decididos em Shoot-outs. O time de NY encararia o Fort Lauderdale de Teofilo Cubillas e Elias Figueroa.
  • No outro confronto de destaque, o Chicago Sting – sempre liderado pelo Alemão Karl-Heinz Granizta – venceu uma das novas franquias, o Montreal Manic – antigo Philadelphia – também em três jogos e seguiu para a semifinal onde encarou o San Diego Strikers de Leandro Cuellar e Kaz Denya.
  • No confronto entre Cosmos e Strikers – o time liderado por Chinaglia foi muito superior nos dois primeiros jogos e passou sem a necessidade do terceiro jogo.
  • Já o confronto entre Sockers e Stings foi bem mais equilibrado. O time de Chicago perdeu o primeiro jogo fora de casa, mas foi melhor nos outros dois confrontos disputados no Comiskey Park e conseguiu a vaga no Soccer Bowl.

Na final, disputada no Exibition Stadium em Toronto o que se viu em campo foi uma antítese da maioria dos jogos da Temporada.

Mesmo com um 0 x 0 nos 90 minutos, a partida teve um confronto muito aberto e com os dois goleiros alemães – Dieter Ferner do Chicago Sting e Hubert Birkenmeier do NY Cosmos – numa noite exageradamente feliz, pegando tudo, como por exemplo uma bicicleta de Giorgio Chinaglia no segundo tempo que provavelmente seria o gol mais lindo da história da NASL.

A boa atuação dos goleiros levou a partida para os Shoot-Outs e nas 5 primeiras cobranças os goleiros continuaram brilhando, pois apenas na terceira cobrança do Cosmos Bogicevic, ou como era chamado carinhosamente pelos narradores – Boggy – conseguiu converter a primeira cobrança para o time de NY.

Granitzka converteu a primeira para o time de Chicago. Ivan Bujlan, meia croata do Cosmos cobrou de maneira displicente e Ferner defendeu, empatando a disputa.

Rudy Glenn colocou o Stings na frente e deixou a responsabilidade para o zagueiro canadense e uma das estrelas da Liga Bob Iarusci empatar para o Cosmos, porém o camisa 3 do time de NY cobrou de maneira ridícula o Shoot-Out e com isso o Chicago Sting se tornou o campeão da temporada 1981.

Chicago Sting campeão da NASL

1982

Como podem perceber, passei de maneira mais rápida pela temporada de 1981.

O motivo é que enquanto a temporada acontecia, a continuação da Liga ficou em cheque.

Primeiro, a notícia de que alguns clubes, já no meio da temporada, anunciavam o encerramento das suas atividades.

Numa sequência: Atlanta, Washington, Minnesota, Los Angeles California, Calgari e surpreendentemente o Dallas Tornado – a única franquia existente desde o início da Liga – simplesmente desapareceram.

A segunda e considerada mais grave pelo Comissionário da Liga, Phill Woosman, foi a não renovação dos direitos de transmissão da Emissora ABC – que transmitia a Liga em Rede Nacional – e com isso fez com que os jogos fossem transmitidos apenas em emissoras locais ou em pequenos canais de TV a Cabo.

Com o desespero batendo na porta, a última cartada foi uma ideia arrojada, porém executada de uma maneira extremamente atrapalhada, que contaremos daqui a pouquinho

Como puderam agora pouco, a temporada inicia com sete times a menos do que a temporada anterior e os 14 times restantes – ou sobreviventes – foram divididos em três divisões.

O NY Cosmos do “quase dono do time” Giorgio Chinaglia é o melhor time da temporada regular, seguido dos bons Seattle Sounders de Peter Ward e do Fort Lauderdale Strikers de Teofilo Cubillas. 

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Enquanto isso, em paralelo com a Liga, em alguma tribuna de honra de um dos Estádios da Copa do Mundo disputada na Espanha, representantes do governo colombiano avisaram a FIFA que, por problemas financeiros, seria impossível sediar uma competição com 24 seleções e pediram que fosse diminuído para 16, algo impensável para o presidente da entidade, João Havelange, já que o aumento de seleções na competição era a sua cartada para barganhar por votos de federações de países menos tradicionais.

A FIFA naquele momento não desistiu da Colômbia, mas deixou claro que começaria a ouvir outros possíveis candidatos dos continentes Americanos dispostos a sediar a competição, o que acabou chamando a atenção de México, Estados Unidos, Canadá e até do Brasil – que logo desistiu da ideia.

Voltando para a Liga, para contarmos sobre a fase final, os times que se destacaram na temporada regular, assim como na temporada anterior, comprovaram o favoritismo ao chegarem todos nas semifinais.

O NY Cosmos venceu as duas primeiras partidas sobre o San Diego Sockers e com isso acabou com o sonho do time do Estado da California jogar o Soccer Bowl em seu estádio.

O adversário do Cosmos seria o Seattle Sounders, que em um playoff muito equilibrado superou o Fort Lauderdale Strikers de Cubillas e Branko Segota apenas no tempo extra do terceiro jogo e assim chegar à final.

E no dia 18 de setembro de 1982, 22 mil pessoas – o menor público para um Soccer Bowl desde 1975 – outro sinal da crise que a Liga vivia – NY Cosmos e Seattle Sounders disputaram a final.

O Sounders, liderado pelo atacante Peter Ward, mandou no começo primeiro tempo, mas desperdiçou muitas chances.

E fazer isso contra um time que tem Giorgio Chinaglia é um erro fatal e aos 30 minutos o “BISÃO ITALIANO” como era chamado desde os tempos de Lazio fez 1 x 0.

O jogo não muda.

O Seattle continua com as melhores chances e NY Cosmos treinado pelo brasileiro Julio Mazzei suporta até o final de jogo e fica com a taça de uma temporada que mais uma vez decepcionou no nível técnico.

Dias depois do fim da temporada, uma informação caiu como uma bomba nos corredores do escritório da NASL – dirigentes da liga e alguns dos donos de equipes pediram a saída de Phil Woosman, comissionário da Liga e considerado o responsável desde o início por toda a sua expansão.

De acordo com o grupo que decidiu pela sua saída o principal motivo foi a forma descontrolada de como a Liga foi crescendo, sem obedecer a critérios técnicos e financeiros.

Guardada as devidas proporções, a saída de Woosman foi quase como a saída de Steve Jobs da Apple – se consideramos a obsessão por fazer o projeto funcionar, a ambição e as horas investidas no projeto.

Semanas depois da saída de Woosman, outra notícia que mexeu com a alta cúpula da Liga.

No dia 25 de outubro de 1982 o presidente da Colômbia formalizou a desistência do país de sediar a Copa do Mundo de 1986.

De acordo com Belisário Betancourt a Colômbia passava por muitas dificuldades econômicas e não teria como atender todas as extravagancias da FIFA.

Com isso a NASL viu a oportunidade de os Estados Unidos sediarem o Mundial de 1986 crescer e liderou um projeto para apresentar à FIFA em parceira com a federação de futebol do país.

Vale lembrar que a relação da FIFA com a Federação Norte Americana e a NASL não era das melhores.

  • Com a federação havia uma decepção em relação a falta de um projeto concreto de evolução do esporte no país.
  • Com a NASL a relação era pior ainda. Pois a FIFA era contra a tal “americanização” do jogo feita pela liga que alterava ou criava regras para deixar o jogo mais familiar ao público. A pontuação diferente, a linha de impedimento e o shoot-out eram as principais adaptações que irritavam os velhinhos de Zurique.

Esta irritação vinha carregada de um certo desprezo.

A tentativa de mudar o esporte e a quantidade excessiva de estrangeiros na Liga sempre fez com que as maiores entidades do futebol não levassem tão a sério o que acontecia nos Estados Unidos e isso foi um dos obstáculos enfrentados pelo Comitê de candidatura liderado Por Clive Toye – que havia sido diretor geral do Cosmos e na época era diretor do Toronto Blizzard – e Gene Edwards – presidente da federação.

De acordo com relatos de quem estava nas reuniões, o Comitê de Candidatura americano era bem desorganizado, debatiam entre si durante as reuniões da FIFA e pouco convenciam a liderança da FIFA que, por mais que sempre gostasse de muito dinheiro, naquela época era mais conservadora nas escolhas e ainda buscava países com melhor estrutura e com mais cultura futebolística

Além disso, dentro do comitê era claro que havia muito mais desejo dos integrantes da Liga do que dos integrantes da Federação de que o país fosse escolhido. Houve até algumas pessoas com vínculo à federação que anos depois confessaram que a ideia deles era mais entender como funcionava o ambiente e os relacionamentos dentro da FIFA para sediar a competição num futuro próximo.

Com todos estes obstáculos pela frente e com um concorrente como o México, que havia sediado uma das maiores Copas do Mundo da história anos antes, os americanos praticamente se retiraram da disputa e a FIFA fez a escolha mais segura, entregando a competição aos mexicanos.

De lição, ficou a ideia de que com coisa séria não se brinca e ao se tratar da FIFA, mexer com algo tão precioso como o jogo de futebol pode custar muito caro.

E não há Rei do Futebol, Kaiser ou ganhador do Nobel da Paz que você chame para o seu time que resolva.

DOING THEIR BIDDING (PART II): How U.S. lost the 1986 World Cup bid, but  won the right to host the 1994 tournament - Front Row Soccer
A tentativa frustrada dos Americanos sediarem uma Copa do Mundo, algo que aconteceu apenas doze anos depois

1983

Mal começa o ano e três times anunciam que não seguirão na Liga. São elas:

  • O Edmonton Drillers
  • O Jacksonville Tea Man
  • E o tradicional Portland Timbers – mais um grande baque para os diretores da liga e claro, mais um sinal de que as coisas não iam nada bem.

Seguindo frequência anual das ideias mirabolantes, que talvez o menos otimista chamasse de desesperadora, a Federação, junto da NASL decidiu fazer da Seleção Nacional uma franquia para disputar a Liga. Ela se chamaria TEAM AMERICA e ficaria situada em Washington.

Na cabeça dos criadores da franquia era a chance de ter os melhores jogadores nascidos nos Estados Unidos jogando juntos durante toda a temporada e com isso criando um padrão de jogo para a seleção evoluir ao encarar seleções pelo mundo afora, principalmente as do próprio continente, pois de acordo com a FIFA, seria interessante que os Estados Unidos chegassem em uma Copa do Mundo o mais rápido possível, para ao menos justificar a realização de um torneio por lá.

Em teoria, a ideia parecia interessante. Porém, com a crise financeira tomando conta dos clubes, da liga e da federação as ofertas feitas para os jogadores americanos deixarem suas equipes para participarem do projeto não eram muito atraentes e com isso, poucos jogadores que faziam parte da seleção aceitaram a proposta de participar do projeto.

O resultado foi um vexame. O TEAM AMERICA venceu apenas dez dos seus trinta jogos na temporada e ficou em último na Divisão Sul, que teve o Tulsa Roughnecks como o melhor time.

Nas outras divisões; Leste e Oeste, os melhores times foram respectivamente o New York Cosmos de Chinaglia e Beckenbauer – que voltava da sua passagem pelo Hamburgo – e o Vancouver Whitecaps de Peter Bearsdley e Frans Thijssen – jogador holandês que passou por aqui no Pitadinha quando contamos a história do Ipswich Town Campeão da Copa da UEFA de 1981.

Nas quartas de final, diferente do que vinha acontecendo em temporadas anteriores, os principais times da Liga não confirmaram o favoritismo e foram superados.

  • O NY Cosmos perdeu os dois jogos para o Montreal Manic do Haitiano Franz Mathieu
  • O Chicago Sting foi surpreendido pelo Golden Bay Earthquakes de Leandro Cuellar e Igor Vrablic
  • No “clássico canadense” o Vancouer Whitecaps foi eliminado pelo Toronto Blizzard do atacante italiano Roberto Bettega.

Apenas o Tulsa Roughnecks dos brasileiros Zequinha e Val Fernandes seguiu para as semifinais ao eliminar o Fort Lauderdale Strikers de Teofilo Cubillas.

Nas semifinais entre os Underdogs – ou as surpresas da competição – como descreveu a revista KICK na época mais uma vez surpresa nos resultados:

  • Toronto surpreendeu novamente ao eliminar com facilidade o Goldey Bay sem sequer precisar da terceira partida do Playoff.
  • Já o Tulsa Roughnecks não teve a mesma facilidade. Perdeu o primeiro jogo para o Montreal Manic e precisou jogar muita bola para superar a equipe canadense. Principalmente no terceiro jogo, quando venceu por 3 x 0 jogando no Skelly Stadium.

E no dia primeiro de outubro de 1983, as duas equipes se enfrentaram no BC Place Stadium para surpreendentes 53 mil pagantes.

  • Depois de um primeiro tempo com poucas emoções o Tulsa voltou melhor para o segundo tempo e aos dez minutos numa cobrança de falta rasteira de Njego Pesa – que contou com a falha do goleiro sueco Jon Moller do Toronto – os Roughnecks saíram na frente.
  • Seis minutos depois, depois da cobrança de escanteio, mais uma vez o goleirão sueco falhou e o atacante inglês Ron Futcher fez o segundo do Tulsa e assim confirmou a taça para o time dos perfuradores de petróleo na final mais inesperada da história da NASL.
First NASL Game: Team America and the Beach Boys (June 12, 1983) | Bennet  Kelley's Clippings & More
TEAM AMERICA – a tentativa frustrada de fazer da Seleção uma força Continental nos anos 80.

1984

Mal o ano começou e surgiram notícias de mais três franquias encerando as atividades devido aos abusos nos investimentos sem retorno algum nos anos anteriores ou graças aos projetos mirabolantes que ao saírem do papel se provaram patéticos.

  • O Team America foi um deles. O projeto foi um fracasso de apenas uma temporada graças a todas as recusas dos selecionáveis, que preferiram ficar nas suas equipes ao invés de se aventurarem neste projeto sem fundamento.
  • Quer dizer, sem fundamento para nós, pois o Montreal Manic, que chegou a ser um sucesso na cidade, cogitou copiar a ideia e se transformar no TEAM CANADÁ, mas a falta de apoio e a negativa dos torcedores pegou tão mal que os investidores decidiram encerrar todo o projeto.
  • O terceiro a fechar as portas foi o Seattle Sounders, que viu os rendimentos caírem de forma absurda ao ponto de não conseguir pagar salários e a única solução foi abandonar a liga.

Com isso noves equipes iniciam a luta pela Taça num clima cheio de incertezas, principalmente porque grande parte dos clubes estavam com pendências salariais e até dívidas com aluguéis dos estádios onde mandavam os seus jogos.

Estas nove equipes foram divididas em duas divisões – LESTE e OESTE e apenas os dois primeiros colocados de cada uma seguiriam para as semifinais que seriam disputadas em melhor de três, assim como a final, que com isso acabou extinguindo o Soccer Bowl, final em jogo único que acontecia desde 1975.

Pela Divisão Oeste o San Diego Sockers do polonês Kaz Denya liderou durante toda a temporada regular seguido de perto pelo Vancouver Whitecaps de Frans Thjissen e Bob Lenarduzi.

Já na divisão Leste a briga pelas duas vagas foi mais acirrada.

Apenas na última rodada o Chicago Sting do alemão Karl-Heiz Granitza e o Toronto Blizzard do norte-irlandês Jimmy Nicholl conseguiram as vagas, dexando de fora o NY Cosmos, que vivia uma crise financeira avassaladora.

E aqui temos que fazer uma pausa na temporada para falarmos sobre a Crise financeira do Cosmos e trazer com ela uma Pitadinha Histórica.

Comercial do Game ET, considerado o pior jogo de Videogame de todos os tempos

Como falamos anteriormente, o time sensação da NASL era um dos tantos investimentos do Grupo Warner, liderado por Steve Ross.

No início dos anos 80, Steve Ross tinha como objetivo ter em seu time o diretor Steven Spielberg, que vivia seu auge no Estúdio Universal com o filme E.T.

Ross estava disposto a fazer o possível e o impossível para isso e a sua estratégia envolvia outra empresa do Grupo e um modelo totalmente novo de entretenimento – a Atari e mundo dos videogames.

Depois de uma longa negociação, Steve Ross decidiu pagar 25 milhões de dólares para o licenciamento do jogo ET – o Extraterrestre para o Atari. Para vocês terem uma ideia do quão alto era o valor, estas negociações na época geravam em torno de 500 mil a um milhão de dólares.

A demora na negociação fez com que o período de desenvolvimento do jogo fosse de apenas cinco semanas comprometendo toda a programação e edição do jogo.

E quando os cartuchos chegaram as lojas em dezembro de 1982 as vendas foram um fracasso.

O jogo recebeu diversas avaliações negativas, pois tinha uma baixa qualidade gráfica, jogabilidade confusa e cheio de problemas de programação, tornando-se automaticamente um gigante fracasso comercial, ao ponto de ser considerado por especialistas como um dos principais motivos da crise os Video Games que quase acabou com a indústria no ano de 1983.

Em 1984 a conta dos investimentos absurdos que foram feitos para o lançamento do jogo que foi um fracasso e a queda de venda dos consoles bateu na porta do grupo Warner de uma forma tão impactante que fez com que as lideranças do grupo olhassem para os outros investimentos que não estivessem dando lucro de uma forma muito mais criteriosa e o NY Cosmos estava entre eles.

Até houve algumas tentativas malucas de salvar a franquia – uma delas foi chamar Pelé para voltar a jogar sete anos depois dele encerrar a carreira, algo que Pelé, com muito bom senso não aceitou – e a única solução foi vender a franquia para outro grande ídolo do clube – Giorgio Chinaglia – que na época presidente da Lazio.

O jogador comprou grande parte do Cosmos, mas o ex-jogador deixou o controle do clube para seu empresário Peppe Pinton, que não tinha recursos para manter os principais jogadores para o próximo ano e assim que ficou fora dos playoffs, algo que não acontecia desde 1975, começou a dar sinais que não participaria da Liga no ano seguinte.

E foi assim, diante desta bomba que seria a saída do principal time da Liga que aconteceram as semifinais.

  • Chicago Sting e Vancouver Whitecaps fizeram semifinais emocionantes, com o time de Granitza, Manny Rojas e Pato Margetic conseguindo a vaga apenas no terceiro jogo
  • Na outra semifinal o Toronto Blizzard teve mais facilidade e eliminou o San Diego Sockers em apenas dois jogos e chegou à final.

Enquanto as semifinais aconteciam, outra bomba caiu sobre a cabeça de Howard Samuels, novo presidente da NASL: quatro equipes da liga foram aceitas pela MISL – a Major Indoor Soccer League – e com isso elas não participariam da Liga tradicional e nem da liga Indoor organizada pela NASL durante o inverno.

Uma destas equipes era o Chicago Sting, que foi para a final já sabendo que não disputaria a próxima temporada caso ainda existisse a Liga.

O clima de crise, dúvidas e de falta de uma luz de esperança sobre a liga se vê nas arquibancadas das finais.

  • Apenas oito mil pessoas foram ao Comiskey Park em Chicago para ver os jogadores latinos do Sting – o chileno Rojas e o argentino Magertic – marcarem na vitória do time da casa por 2 x 1.
  • No Canadá o público de 16 mil pessoas bem que tentou, mas não foi o suficiente para levar o Blizzard a uma vitória. O time da casa saiu perdendo por 2 x 0, chegou a empatar a partida, mas no finzinho brilhou mais uma vez a estrela de Pato Magertic, que fez o terceiro dos visitantes e o Chicago Sting se tornava campeão da NASL pela segunda vez.
O último suspiro. A final da Temporada 1984 entre Chicago Sting e Toronto Blizzard

NASL: O FIM DE UM SONHO QUE INSPIROU UMA REALIDADE

Logo depois da final, com os bastidores bem movimentados na luta para que a Liga tivesse continuidade no ano seguinte, outra notícia devastadora: Howard Samuels – que substituíra Phil Woosman como principal nome entre os dirigentes de North American Soccer League – morre devido a um ataque cardíaco fulminante aos 64 anos. 

A Liga reage rapidamente e nomeia Clive Toye, nome importante da Liga desde a sua fundação e que na época era CEO do Toronto Blizzard – como o seu presiente interino.

Não havia nome melhor para este momento de desespero. Toye era influente entre os donos dos times, era respeitado pela sua história e um dos mais dedicados em fazer do futebol um esporte popular no Estados Unidos.

O novo “nome da NASL” apresenta um documento de 46 páginas com um plano de salvar a liga, propondo uma temporada com seis equipes – com plano de uma nova expansão em dez anos – e um torneio eliminatório com 16 jogos envolvendo também equipes mexicanas.

Os “quatro sobreviventes” da temporada seguinte apoiaram a ideia, com isso Toye foi atrás de mais duas franquias para com isso fechar o plano para a temporada de 1985.

Com os primeiros meses do ano passando, dois dos quatro sobreviventes – Minnesota e Toronto – desistiram e formalmente encerraram suas atividades, sobrando apenas um Cosmos quebrado e um Vancouver Whitecaps já com olhos voltados para a Liga Indoor e a Liga Canadense.

Os Líderes da NASL então, já começaram a olhar para o ano seguinte, sonhando com uma possível classificação dos Estados Unidos para o Copa do México, que seria um provável impulso para o esporte no país.

Na CONCACAF CHAMPIONSHIP – que também serviu como Eliminatórias para a Copa de 1986 – os americanos, otimistas por caírem num grupo com Trinidad e Tobago e Costa Rica – começaram muito bem, vencendo os dois jogos contra Trinidad e Tobago e conseguindo um empate heroico contra os Costarriquenhos fora de casa, deixando a decisão pela única vaga na fase final para o confronto entre as duas seleções na Califórnia cinco dias depois.

Os americanos, liderados pelo zagueiro e capitão Paul Caligiuri, começaram bem melhores no jogo, mas aos 35 minutos, depois de uma saída em falso do goleiro Arnie Mausser Evaristo Conrado – um dos maiores jogadores da história do Deportivo Saprissa – fez o gol da vitória dos “Ticos” e com isso o sonho dos Estados Unidos de chegar novamente a uma copa acabou.

A derrota acabou também com o sonho da NASL.

Com o futebol indoor – que conhecemos aqui como Showbol – ganhando cada vez mais força e novas ligas regionais surgindo, uma liga nacional com altos custos e poucos investimentos se tornou algo totalmente sem sentido.

A oportunidade de uma nova liga profissional surgiria apenas quando os Americanos novamente se candidataram a sediar uma Copa do Mundo e ainda assim, surgiu apenas por ser uma contrapartida exigida pela FIFA para que o evento fosse sediado por lá em 1994.

A forma decadente e até triste como a liga se encerra, faz com que até hoje ela tenha uma imagem de algo mal-feito, artificial e caricato, apagando tudo de inovador e arrojado e corajoso que foi feito durante as suas 17 temporadas e que ficou como legado para a elite do futebol.

  • Foi por lá que surgiram as novas formas de se negociar com emissoras de televisão.
  • Foram os americanos que montaram os grandes esquadrões globais com jogadores de diversas partes do mundo para atrair novos torcedores.
  • As regras malucas de pontuação, impedimento e shoot-out, por mais que tenham causado um atrito com os velhinhos da International Board, também colocou uma pulga atrás da orelha de todos, que mesmo não admitindo, olharam para estas loucuras para mudarem algumas regras do jogo nas décadas seguintes.
  • Os nomes nas camisas, que só vimos em uma grande competição mundial em 1994, também foi visto pela primeira vez no futebol por lá.
  • E até o showbol – que por aqui vimos pela primeira vez no FIFA 97 e que depois fez sucesso com os ex-jogadores desfilando seu talento nas tardes de domingo – foi praticado a exaustão na lacuna entre a North American Soccer League e o primeiro ano de Major League Soccer.

Ao pesquisar com detalhes este “pedaço de mundo paralelo do futebol”, fica claro que a North American Soccer League é um dos episódios mais deliciosos e cheio de fatos interessantes da história do futebol, se juntando a temas como a Liga Pirata da Colômbia ou ao período do futebol mundial pós-segunda guerra mundial.

Fica aqui todo o respeito e admiração aos que tentaram fazer de um esporte mundial cheio de conservadorismo um dos esportes americanos; e que mesmo que não tenha dado certo, mostrou para o mundo todo, com seus erros e acertos, como seria o futebol com o fim das fronteiras e muitos investidores, aventureiros ou não.

Pois cada bola que rola num gramado da MLS, cada recordação que você tiver da camisa “calça jeans” usada por Lalas e cia. Na Copa de 1994 ou cada arrancada de Pulisic na Premier League tem um PITADINHA – com o perdão do trocadilho – da North American Soccer League, a primeira Liga das Estrelas do Futebol Mundial.

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