QUANDO DESCOBRI QUE ERA AMOR

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17 de junho de 1994.

Se você era uma criança apaixonada por futebol nesta época, sabe bem que a Copa do Mundo já havia começado semanas atrás, na incessante busca por figurinhas para completar o seu belo álbum de figurinhas NÃO autocolantes.

Comigo foi bem parecido, mas um pouco diferente. Pois foi neste ano que descobri os GUIA DE COPA DO MUNDO da PLACAR, com esquemas táticos, textos e tabela no meio para preencher.

Ou seja, para nós a Copa já havia começado.

Porém, foi a tarde de 17 de junho de 1994, logo após aula de Língua Portuguesa, que tudo mudou na minha vida.

Eu não tinha noção de que a cantora que perdeu o pênalti no Show de abertura era a Diana Ross e muito menos que estava um calor impróprio para uma partida de futebol. Eu só queria saber de ver novamente Lothar Matthaus e Jurgen Klismann vestindo a bela camisa da Alemanha contra a Bolívia de “El Diablo” Etcheverry e Erwin “Platini” Sanchez que havia vencido o Brasil um ano antes.

O jogo acaba e lá estou eu com a minha caneta anotando o resultado e seguindo a caminho do quintal para montar o Estrelão e simular o jogo que acabara de assistir.

Sim, eu me orgulhava na época de ter as 24 seleções da Copa em times de botão.

Eu não vou ficar aqui falando de todas as memórias que tenho daquela Copa do Mundo, mas lembrarei alguns detalhes que provavelmente aquecerão o coração de você leitor, provavelmente tão apaixonado por futebol como eu.

Me recordo de ficar feliz que Eric Wynalda ter marcado no jogo contra a Suiça, confirmando a previsão do Guia da PLACAR de que ele era o melhor jogador da seleção Americana.

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Eu lembro muito bem de Galvão Bueno encher o saco dizendo “que era a hora do gol” até Romário marcar contra a Rússia e ele gritar “COMO EU DIZIA” durante a narração do gol.

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Como esquecer o frio desgraçado que fazia na estreia da Argentina contra a Grécia e de como todos nós brasileiros ficamos preocupados com a qualidade daquela seleção.

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Ou de assistir sozinho a primeira partida da Nigéria e a linda comemoração de Rashid Yekini chorando enquanto agarra as redes da meta de Mihaylov.

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E a bizarrice que era tentar entender o Pontiac Stadium de Detroit? Estádio coberto em que todos nós descobrimos quem era o grandalhão Kenneth Anderson e sua comemoração de apontar os dedos indicativos para frente ao marcar, como fez ao encobrir Taffarel.

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Onde você estava na tarde fria de sábado em que Argentina e Nigéria se enfrentaram e precisou do replay para entender a cobrança de falta rápida de Maradona para Caniggia chapar a bola no ángulo?

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Vai dizer que não lembra do chute cruzado de Klismann para vencer o goleirão Preud’Homme, em uma finalização que derruba as garrafinhas do ótimo goleiro belga.

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E um dia depois, no fim de domingão, vai dizer que não secou com toda sua família a forte Argentina e festejou a eliminação dos nossos rivais para uma Romênia que nos encantava desde a primeira fase?

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Junto da família, num belo almoço de domingo, vimos Stoichkov e o carequinha Lechkov surpreenderem a Alemanha em menos de cinco minutos.

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Sofremos dias depois com Galvão Bueno implorando para o Brasil parar de cruzar bolas na área e ver Romário, o baixinho, marcar um gol de cabeça no fanfarrão Thomas Ravelli.

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E sejamos justos. Não vimos muito a Itália na primeira fase pelo simples fato de nem imaginarmos que a equipe de Franco Baresi e Roberto Baggio pudesse ir tão longe.

Quando nos atentamos para a Itália pela primeira vez, foi quando Tassoti desferiu uma bela cotovelada em Luis Enrique nas oitavas.

Depois até tentamos torcer muito para a Nigéria, que assim como Camarões em 1990, perdeu gols demais contra um rival mais tradicional e o que vimos foi Roberto Baggio mostrar ao mundo que seria capaz de levar aquele time mais longe.

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Um mês depois daquele dia 17 de junho, os mesmos finalistas da Copa de 70 e também presentes na tragédia de Sarriá estavam em campo.

Para uma criança desde cedo apaixonada por história por futebol, nada poderia ser mais bonito. As duas seleções tricampeãs do mundo num duelo final.

Eu nem lembro de sofrer com o jogo, mas lembro que tudo nele me encantava, principalmente Márcio Santos e Demetrio Albertini, que na mente de uma criança que imaginava já saber analisar futebol fizeram uma partida impecável.

Na cabeça da mesma criança, ver o ídolo Viola entrar em campo trouxe uma emoção para a prorrogação que simplesmente apagou qualquer tipo de nervosismo.

“Parte pra cima Viola, não toca para o Romário. Chuta você!!!”

Eu lembro pouco dos pênaltis. Só lembro que depois eu era o Márcio Santos no “Três X Três Fora” que no meu bairro em São Bernardo – Jordanópolis – sei lá por qual razão, se chamava “Gol de Classe”.

Hoje, 27 anos depois, eu sei que foi uma Copa do Mundo disputada num calor insuportável, com sedes distantes e horários de jogos malucos para atender transmissões de televisão.

Mas estes trinta dias do ano de 1994 mudaram minha vida para sempre. E se hoje sou tão apaixonado por futebol é porque acompanhei de perto todas estas loucuras do futebol no verão americano.

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