Um Conto sobre Kanté

It wasn't magic that got N'Golo Kanté to the very top - We Ain't Got No  History

Há quatro anos, assim que o Chelsea confirmou o título da Premier League, eu escrevi um texto sobre N’golo Kanté e a sua importância para a conquista histórica do Leicester de Claudio Ranieri e a conquista do Chelsea de Antonio Conti. Naquele texto de um blog antigo finalizei dizendo que teríamos o prazer de vê-lo na Copa do Mundo. Torneio em que terminou como campeão.

Entre aquele texto e este que escrevo um dia depois do Chelsea conquistar a Champions League Kanté não levantou uma taça apenas na temporada 19/20 e até na temporada em que teve mais dificuldades em relação ao sistema tático – a temporada 18/19 com Maurizio Sarri – ele conseguiu aprimorar a sua chegada ao ataque, um atributo que não era citado ao se referir a ele em seus primeiros anos de carreira.

Nestes mesmos anos de início de careira no Caen ou nas primeiras temporadas no futebol inglês o que se via em campo era um incansável Kanté correndo e combatendo a tudo e a todos no meio campo, chegando ao impressionante número de 150 desarmes em uma temporada.

Ao assistir o meia francês nos dias de hoje, fica claro que ele parece conhecer os atalhos da sua função, ocupando espaço com posicionamento perfeito, fechando linhas de passe e impedindo movimentações dos grandes nomes dos times adversários dando pequenos trotes ou movimentações laterais, algo que ficou claro ontem com Kevin De Bruyne, que pegou pouquíssimo na bola quando tentava cair para o lado esquerdo do campo.

Por outro lado, a velocidade que víamos na marcação nos anos anteriores agora é a sua maior aliada quando o seu time está com a bola. A velocidade de movimentação e a inteligência de ocupar o espaço certo faz da versão atual de N’golo Kanté um jogador quase completo, que alia entendimento de jogo com velocidade de uma maneira muito além da maioria.

Tudo isso faz de Kanté um craque. Um jogador raro e que deve ser tratado como tal.

A forma explícita em que a sua importância se evidenciou nesta temporada e o maior entendimento do espectador em relação ao jogo (sim, o espectador médio de futebol está entendendo cada vez mais sobre o jogo) jogou uma luz sobre um questionamento interessante:

Kanté merece o prêmio de melhor jogador da temporada?

Na opinião de quem escreve, SIM. Pela bola e pelo significado.

E nem me refiro a sua linda história de superação que todos os comentaristas contam assim que Kanté rouba uma bola nos primeiros minutos de jogo, mas na forma em que este jogador se faz onipresente em campo de uma forma simples e objetiva, que ajuda o coletivo com tanto brilhantismo que acaba chamando a atenção individualmente.

A premiação de N’golo Kanté simboliza a vontade de vencer. O auge individual de um jogador que entrega para o time algo especial. O líder que não precisa da faixa de capitão, não precisa de violência e muito menos de comportamento polêmico para todos notarem que ele comanda o jogo.

N’golo Kanté “apenas” joga.

E como jogador, HOJE não há ninguém melhor que ele para fazer de um time campeão.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: